Era uma noite quente e úmida no Hell de Janeiro. O paredão estava explodindo um funk proibidão tão pesado que até o chão tremia. No meio do baile, um monte de cracudos e maconheiros se acabavam de pedra e fininho, rebolando feito zumbis dopados, com os olhos brancos e a boca babando.
De repente, o grave do funk foi cortado por um rugido animalesco que fez até o DJ errar a batida:
“DROGAS NÃÃÃÃOOO, SEUS MACONHEIROS FILHOS DA PUTA!!!”
Do meio da escuridão surgiu o Leão do PROERD.
Um ser imponente de mais de dois metros, metade homem, metade leão. Corpo musculoso coberto de pelo dourado, uma juba linda, volumosa e brilhante balançando ao vento como se fosse um rei da selva. Olhos amarelos ferozes, presas à mostra e garras afiadas. Vestia apenas uma camiseta verde do PROERD esticada ao limite nos peitorais gigantes e um short tactel preto.
Os cracudos pararam de rebolar na hora. O cheiro de crack no ar foi substituído pelo cheiro de medo.
O Leão não falou. Ele rugiu e partiu pro ataque.
Com um tapa de pata, jogou três cracudos voando por cima do paredão. Pegou um pivete que tentava correr pelo pescoço e deu um mata-leão tão brabo que o moleque desmaiou vendo Jesus. Outro tentou oferecer pedra pra ele em troca de misericórdia. O Leão olhou pra pedra, ficou vermelho de fúria e meteu um soco tão forte que a pedra virou pó no ar.
Em menos de cinco minutos, o baile virou um campo de batalha. Cracudos correndo, fininho voando, gente se mijando de medo. O Leão do PROERD estava no meio da multidão, juba balançando, distribuindo porrada pra todo lado.
Quando o último maconheiro caiu desmaiado no chão, o Leão subiu em cima de uma caixa de som, levantou os braços musculosos, sacudiu a juba dourada pro alto e, com uma voz potente que ecoou pelo morro inteiro, começou a cantar:
> “PROERD é o programaaaa…
> PROERD é a soluçãããaooo…
> Lutando contra as drooogas…
> Ensinando a dizer nããããaoooo!”
Enquanto cantava, ele ainda dava tapão nos cracudos que tentavam se levantar do chão.
A noite terminou com o Leão do PROERD em pé, suado, juba brilhando sob a luz dos holofotes, cercado de maconheiros desmaiados e fininhos apagados.
Ele olhou para o céu, bateu no peito e rugiu:
— Enquanto eu tiver fôlego, o crack não passa no meu território!
E assim, mais uma noite no Hell de Janeiro foi salva… ou destruída. Depende de quem você pergunta.