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Zé das Fezes e o Cavaleiro do Apocalipse

Zé das Fezes desceu do último busão às 2:17 da manhã, exausto depois de 12 horas de trabalho. A rua estava completamente vazia e silenciosa. Ele colocou o fone, deu play no Painkiller do Judas Priest e começou a caminhar pra casa.

Foi quando o grave invadiu.

No meio da música do Priest surgiu um som baixo, molhado e nojento: TUMTATATUMTUMTA… TUMTATATUMTUMTA…

Zé parou. Tirou um fone do ouvido. O som estava vindo de trás dele. Virou devagar.

No fim da rua, onde não tinha nada segundos antes, surgiu o Gol Quadrado 97. Totalmente preto, vidros pretos, rebaixado até o asfalto raspar. Não tinha farol ligado. Ele simplesmente se materializou, como um demônio cuspido pelo próprio inferno.

O som era constante. TUMTATATUMTUMTA… TUMTATATUMTUMTA… Não era música. Era bosta sonora. Um funk podre, molhado, nojento, que parecia feito de fezes batendo contra o escapamento.

Zé começou a correr desesperado. O Gol não acelerava. Ele vinha devagar, implacável, como um cavaleiro do apocalipse de quatro rodas. O som aumentando a cada metro: TUMTATATUMTUMTA… TUMTATATUMTUMTA…

Ele subiu uma escada de prédio pulando os degraus. Quando olhou pra baixo, o Gol estava subindo a escada atrás dele, para-choque batendo em cada degrau, o grave ribombando sem parar.

Zé se enfiou num beco sem saída, tropeçou numa poça de mijo e caiu de boca no chão. Virou apavorado. O Gol tinha sumido. O som parou.

Chegou em casa tremendo, trancou a porta, fechou todas as janelas e enfiou a cabeça debaixo do travesseiro.

Dois minutos de silêncio.

De repente… TUMTATATUMTUMTA… TUMTATATUMTUMTA…

O som vinha de dentro do quarto. O Gol Quadrado 97 estava estacionado do lado de fora da janela, capô quase encostando no vidro, o som tão alto que fazia as paredes vibrarem. Era o mesmo funk nojento, bosta sonora pura.

Zé colocou o fone de ouvido, aumentou Judas Priest no talo até doer a cabeça. Não adiantou porra nenhuma.

Sentiu algo quente escorrendo pelo ouvido direito. Depois pelo esquerdo. Era fezes líquidas saindo direto do cérebro. A cada batida daquele TUMTATATUMTUMTA, ele perdia um pedaço da própria mente.

Ele se arrastou até o banheiro, se segurando nas paredes. Quando se olhou no espelho, não tinha mais Zé. Tinha um orangotango de QI 83 olhando pra ele com olhos mortos.

Seu corpo começou a rebolar sozinho. Primeiro devagar, depois frenético, acompanhando o ritmo da bosta sonora.

Zé das Fezes saiu de casa dançando, olhos vazios, até que caiu de cara no meio da rua. Um mar de fezes líquidas escorria da cabeça dele, misturando com a água da sarjeta.

O Gol Quadrado 97 desligou o som lentamente, ficou parado observando o corpo por alguns segundos… e então desapareceu, engolido pela escuridão.

Pronto pra encontrar a próxima vítima.